9 de nov. de 2008

Fundação Jardim Zoológico de Niterói cria o 'SOS Jacaré

Jacaré-de-papo-amarelo não teria a necessidade de atacar pessoas, frisa o biólogo Pedro  - Foto: Arquivo

Há duas semanas, um episódio que pode ser atribuído à expansão urbana num ecossistema chamou a atenção dos niteroienses. A questão se refere à descoberta da existência de um jacaré-de-papo-amarelo, ou quem sabe até mesmo de uma família de répteis, que sobreviveu à degradação ambiental promovida pelo homem em uma espécie de brejo no Engenho do Mato, na Região Oceânica. Em virtude do inusitado fato, a Fundação Jardim Zoológico de Niterói (Zoonit) dá início esta semana ao "SOS Jacaré".

Segundo o biólogo Pedro Menezes, especialista em répteis do Zoonit, o objetivo do projeto é proteger toda a fauna do Parque Estadual da Serra da Tiririca, localizada em Niterói e Maricá, através de conhecimentos sobre educação ambiental a serem disseminados em escolas da região.

A ação, garante ele, irá enfatizar a importância dos moradores na manutenção da qualidade ambiental, assim como na preservação da fauna e flora de Niterói.

"Serão abordados aspectos sobre legislação ambiental, de uma maneira que os estudantes aprendam quais são os direitos e deveres de cidadãos responsáveis pelo meio ambiente".

Num primeiro momento, o "SOS Jacaré" será levado a três unidade de ensino no entorno do Parque. São elas: Escola Estadual do Engenho do Mato, Ciep de Várzea das Moças e Ciep Almedorina Azeredo, no Rio do Ouro.

"Queremos desenvolver nos participantes uma consciência sócio-ambiental, que os leve a interagir de maneira harmônica com o ambiente em que estão inseridos", explicou Pedro Menezes.

A iniciativa será baseada em palestras e na apresentação de filmes que mostrarão os animais que habitam na região e aqueles que foram dizimados devido à caça predatória e a ações sobre o meio ambiente, como queimadas e aterros.

O biólogo do Zoonit aproveitou para enfatizar que há uma grande diversidade de espécies que vivem no Parque da Serra da Tiririca. De acordo com Menezes, diversos animais ameaçados de extinção que habitam a região não oferecem perigo ao homem. Porém, este, num misto de espírito predatório e desconhecimento, acaba matando-os para fins comerciais ou por medo de ataques.

"O jacaré-de-papo-amarelo, por exemplo, é um animal que se esconde das pessoas. Ele deve ser retirado do lago porque está poluído, mas não representa perigo. É predador natural de animais menores, que circulam no entorno do lago e, por isso, não teria a necessidade de atacar nenhum humano. A cobra jibóia, que vive na Serra da Tiririca, também é alvo de maus-tratos por causa do medo. Ela não é venenosa e ainda ajuda no controle de roedores", esclareceu.

Por conta disto, Pedro destacou que, através do "SOS Jacaré", as crianças saberão como lidar com os bichos e aprenderão as características da mata.

"O que mais desejamos é que as pessoas aprendam a conhecer o meio ambiente, respeitem-o e valorizem-o. Só assim haverá uma convivência harmoniosa entre o homem e essa dádiva divina chamada natureza".

Instinto – Há alguns meses, o jacaré-de-papo-amarelo que ainda resiste à poluição no Engenho do Mato, vinha buscando alimento fora do habitat natural. Isto porque o pântano, contaminado, passou a não suprir às necessidades de sobrevivência dele.

Por conta disso, o jacaré começou a caçar galinhas, cachorros e outros animais menores que vivem nas redondezas do lago, o que, de imediato, causou a revolta da população local. Indignados com a ação natural do réptil, alguns moradores teriam tentado matá-lo com um tiro de espingarda, atingindo a mandíbula do animal.

Nos últimos dias, profissionais do Zoonit e bombeiros deflagraram operação para resgatá-lo. As tentativas, por enquanto, foram em vão.

Gato do mato e lontra em perigo

Parte da fauna atual do Parque Estadual da Serra da Tiritica é composta pelo coelho do mato, o teju (lagarto que pode atingir um metro de comprimento), o quati (mamífero carnívoro), o mico-estrela e por aves de diversas espécies, como beija-flores, gavião-carrapateiro, gavião-carcará, coruja branca e tiê-sangue.

"Nas áreas de baixada, encontramos a paca, o jacaré-de-papo-amarelo e a lontra, hoje muito rara na região", disse o biólogo Pedro Menezes.

As espécies brasileiras ameaçadas de extinção que habitam a Serra são o Gato do mato, lontra, socó-boi, gavião-pomba, mutum-do-sudeste, mãe-da-lua e o jacaré-de-papo-amarelo.

O Parque Estadual está localizado no Estado do Rio de Janeiro, na divisa dos municípios de Niterói e Maricá. Através da lei estadual número 5079, de 5 de Setembro de 2007, foram estabelecidos os limites definitivos (2.091,5 hectares).

De acordo com o biólogo Pedro Menezes, o Parque e o entorno dele, incluído áreas de brejo, restinga (APA de Maricá) e rios, abriga uma parcela significativa de biodiversidade da Mata Atlântica.

A composição florística é variada, apresentando espécimes raros como ficus, cactos, bromélias, orquídeas e outras plantas de interesse científico.

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